Eis a questão!

Há algum tempo, depois de produzir a série “Duas Belezas” para a revista Mascular Magazine, estava conversando com meu amigo e modelo do ensaio. Ele perguntou se me considero um fotógrafo profissional ou amador, respondi que me considerava amador e ele fez um discurso enorme, dizendo que sim, que sou profissional, porque sei fotografar, conheço a técnica, estudo sobre o assunto e tantos outros argumentos. Na hora aquilo me pareceu certo, mas depois pensando com meus botões, entendi que não sou profissional e nem quero ser.

Explico. Vamos pensar em um relacionamento afetivo: no início é paixão, quente, curiosa, a vontade de estar junto é onipresente. Queremos entender o outro, experimentar, testar, virar do avesso! Com o passar do tempo o relacionamento muda, fato absolutamente normal, as coisas se acalmam, você sabe muito bem o que fazer — e o que não fazer. Na fotografia experimentamos uma jornada muito parecida: começamos pela técnica, entendendo o que o famigerado ISO faz e ficando encantados com o primeiro fundo desfocado. Mas depois de dominar a técnica parece que chegamos a um platô, que a relação caiu na rotina, e não vemos uma luz no fim do túnel.

Encontrar o próprio caminho na fotografia não é tarefa fácil. Além de decidir se você quer seguir a linha artística ou comercial, existem centenas de vertentes para escolher. Demorei muito tempo para entender que existem outras possibilidades além de casamentos e “new born”. Foi uma tarefa árdua admitir para mim mesmo que poderia fazer muito mais com a fotografia — minha terapeuta que o diga — mas, seja lá qual for o caminho que a fotografia me levar, uma coisa é certa: quero ser amador para sempre. Quero passar o resto dos meus dias apaixonado, com o fogo de amantes que acabaram de se conhecer.

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Este texto foi originalmente publicado no aplicativo CulturaCuritiba

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