Quando consideramos como o gênero é definido e discutido hoje, é tentador pensar que houve uma ruptura dramática com um passado em que os papéis de gênero e as características do binário masculino/feminino eram fixos e facilmente definíveis. Ao fazer um retrospecto pela história da arte, podemos encontrar uma enorme variedade de maneiras pelas quais o gênero foi entendido e representado, em diferentes momentos e em todo o mundo. Dessa forma, temos a história da arte como uma lente através da qual podemos ver como os conceitos de gênero mudaram e como os artistas o reforçaram/questionaram.

Um dos mais notáveis trabalhos fotográficos sobre identidade de gênero é o de Claude Cahun, no início do século XX. Ao longo de sua vida, Cahun assumiu uma grande variedade de disfarces. Um cavalheiro elegante. Um iogue. Um marinheiro. Algumas das identidades eram claramente masculinas e outras claramente femininas. E havia muito no meio. Nesta série fotográfica inspirada no trabalho de Cahun, uma figura metade “Dama da Sociedade” e metade “Dama da Noite”, explora e distorce o binarismo, desafiando as normas de gênero por intermédio da sexualização feminina de um corpo masculino, questionando a premissa de que identidade de gênero é algo estável ou fixo.

Pessoas, geralmente, amam um binário claro, mas, infelizmente, a história não pode fornecer evidências para sustentá-lo. A persona masculina do século XVIII, usando peruca e pó de arroz, foi substituída pelo “ogro pegador que não chora” de hoje. Identidade e papel de gênero são tópicos amplos, mutáveis e a arte é a melhor maneira para pensar sobre gênero e sua fluidez.

Paulo Pomkerner – Setembro/2020

*Este trabalho foi publicado na edição numero 4 da revista EL – Erotic Life. Confira clicando aqui ou aqui.


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