A história da fotografia de nu

A representação do corpo nu nas artes plásticas é tão antiga quanto a própria arte, e com a fotografia não foi diferente. Convencionou-se que a primeira vez que o nu recebeu seu significado como arte foi na Grécia Antiga: o corpo humano, principalmente o masculino, era celebrado como símbolo de triunfo, glória e até excelência moral.

Fotografia erótica, deixando os desejos dos modelos rolarem solto

Com o ressurgimento do interesse no período clássico durante o Renascimento, a “arte nua” assumiu uma nova forma. Artistas como Leonardo da Vinci criaram singelos trabalhos que encantavam pela técnica enquanto outros chocaram a audiência pela ousadia — historiadores de arte podem, corados e sob pressão, confessar que Vênus de Urbino, de Ticiano, está se masturbando.

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Ensaio masculino em Curitiba

A fotografia como expressão de arte sempre esteve atrelada ao componente tecnológico, o que acaba ditando o estilo fotográfico de cada época. No século XIX, os fotógrafos eram obrigados a manejar câmeras e tripés pesados para capturar nus que precisavam manter uma pose rígida por quinze segundos — perceba que 15 segundos já era uma evolução gigantesca quando comparado as horas necessárias para se obter as primeiras fotografias.

Pulando alguns anos na rápida evolução da fotografia, vamos para a câmera Leica de Oscar Barnack, de 1926, que mudou completamente a maneira como todos os fotógrafos trabalhavam: era compacta, rápida, leve e seu rolo de filme permitia várias fotos sem recarregar. Essa nova mobilidade foi um catalisador da criatividade em fotografias eróticas sofisticadas, da mesma maneira que câmeras de smartphones e a internet recentemente globalizaram o pornô bruto.

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Fotografia erótica, deixando os desejos dos modelos rolarem solto

Pornografia e erotismo são anteriores à câmera, mas a tecnologia de captura de imagem do século XIX aumentou a oferta e a demanda de ambas. Desde os boxeadores sem camisa exibindo armas na década de 1850, passando pelos truques fotográficos de Man Ray até chegar a imprudência de Robert Mapplethorpe, vimos uma infinidade de usos e intencionalidades na fotografia de nu.

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O nu na arte está longe de ser apenas uma forma de contrabando e compartilhamento de pornografia. Ao tirar a roupa, o fotógrafo obriga o espectador a ler a imagem da linguagem corporal do modelo onde gestos sutis podem dar ao espectador um vislumbre do estado mental da figura. A beleza do corpo humano sempre foi um presente para a fotografia, e esta soube aproveitá-la como nenhuma outra forma de expressão artística foi capaz de fazer.

Este texto foi originalmente publicado no aplicativo CulturaCuritiba