Nan Goldin é uma fotógrafa americana conhecida por seus retratos profundamente pessoais e sinceros. As imagens íntimas de Goldin atuam como uma autobiografia visual, documentando a si mesma e às pessoas mais próximas a ela, tendo como questão central a relação ambígua entre os gêneros, que segundo Nan Goldin se caracteriza pela intimidade e pela distância. Goldin captura o que está acontecendo ao seu redor em um mundo de drogados, sexo, excesso de álcool, das pessoas que lutam para definir a sua identidade, seu gênero, dos infectados pela AIDS — que na época era uma doença da qual se conhecia muito pouco.

Autorretrato de Nan Goldin © 2020 Nan Goldin
Autorretrato de Nan Goldin © 2020 Nan Goldin

Ela leva sua câmera para qualquer lugar, nunca sai sem ela, é sua companheira por onde passa. As pessoas que ela fotografa são suas amigas, portanto, não há atuação na frente da câmera, eles não assumem um papel em frente à câmera de Goldin. Se não houvesse esse tipo de cumplicidade, Goldin não teria sido capaz de fazer aquele tipo de imagem que permite entrar em um mundo sem maquiagem nem poses. Isso é essencial para entender o processo criativo do qual suas imagens surgiram.

Jimmy Paulette e Tabboo! se despindo, Nova York, 1991 © 2020 Nan Goldin
Jimmy Paulette e Tabboo! se despindo, Nova York, 1991 © 2020 Nan Goldin
Rise e Monty, Nova York, 1980 © 2020 Nan Goldin
Rise e Monty, Nova York, 1980 © 2020 Nan Goldin

À primeira vista as fotografias de Nan Goldin dão a impressão de que qualquer pessoa as poderia ter feito

Fotos que bem poderiam ter sido retiradas de um álbum de família ou como as típicas fotos de redes sociais atualmente. Fotos de bares e da noite, em que as pessoas aparecem com bebidas nas mãos ou se abraçando e sorrindo para a câmera como se dissessem: olha, estamos indo muito bem! Entretanto, há o lado chocante e ultrajante — que é a realidade em sua forma mais pura, sem censura. Imagens que mostram atos sexuais, pessoas nuas, cenas que vão além do que você normalmente espera ver na fotografia de arte e elas não têm o glamour que a fotografia de nus geralmente exibe. Tendo em mente a época em que foram tiradas e publicadas, anos 1970 e 1980, torna-se ainda mais notável.

“Estes são meus amigos, esta é minha família, esta sou eu mesma. Não há separação entre mim e o que eu fotografo”

Nan Goldin
Gina na festa do Bruce, Nova York, 1991 © 2020 Nan Goldin
Gina na festa do Bruce, Nova York, 1991 © 2020 Nan Goldin
Misty e Jimmy Paulette no táxi, Nova York, 1991 © 2020 Nan Goldin
Misty e Jimmy Paulette no táxi, Nova York, 1991 © 2020 Nan Goldin

As fotos de Goldin abrem uma janela para um mundo desconhecido da sociedade que muitas pessoas nunca teriam sido capazes de dar uma olhada. Com sua câmera, ela sempre procurou chegar o mais perto possível, para mostrar o nu e muito íntimo. Suas fotos refletem o grande afeto e amor que ela sentia por seus temas. Não importa em que tipo de situação rara ou chocante eles estejam — ou se eles são bonitos ou feios: Nan Goldin não julga com sua câmera. Ela aceita seus modelos do jeito que são.

Gotscho beijando Gilles, Paris, 1993  © 2020 Nan Goldin
Gotscho beijando Gilles, Paris, 1993  © 2020 Nan Goldin

Este texto foi originalmente publicado no aplicativo CulturaCuritiba


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