Tive a honra e o prazer de ter este trabalho pelo qual sinto um imenso carinho publicado na edição numero 4 da revista EL – Erotic Life.

A revista é uma publicação digital que nos guia através do caleidoscópio de trabalhos de artistas latino-americanos que tem como mote o homem, seu corpo, ideias de masculinidade e erotismo. Nela são reunidos os trabalhos de criadores de alto nível, não apenas técnico e artístico, mas discursivo, crítico e em alguns casos hedonista. Ainda que a fotografia seja o principal guia, as páginas de EL mostram diferentes manifestações criativas cujos temas são o que nos permite interpretar a partir da arte aquela ideia fugidia do que significa ser homem nos países latino-americanos.


O que a carne esconde

Quando consideramos como o gênero é definido e discutido hoje, é tentador pensar que houve uma ruptura dramática com um passado em que os papéis de gênero e as características do binário masculino/feminino eram fixos e facilmente definíveis. Ao fazer um retrospecto pela história da arte, podemos encontrar uma enorme variedade de maneiras pelas quais o gênero foi entendido e representado, em diferentes momentos e em todo o mundo. Dessa forma, temos a história da arte como uma lente através da qual podemos ver como os conceitos de gênero mudaram e como os artistas o reforçaram/questionaram.

Um dos mais notáveis trabalhos fotográficos sobre identidade de gênero é o de Claude Cahun, no início do século XX. Ao longo de sua vida, Cahun assumiu uma grande variedade de disfarces. Um cavalheiro elegante. Um iogue. Um marinheiro. Algumas das identidades eram claramente masculinas e outras claramente femininas. E havia muito no meio. Nesta série fotográfica inspirada no trabalho de Cahun, uma figura metade “Dama da Sociedade” e metade “Dama da Noite”, explora e distorce o binarismo, desafiando as normas de gênero por intermédio da sexualização feminina de um corpo masculino, questionando a premissa de que identidade de gênero é algo estável ou fixo.

Pessoas, geralmente, amam um binário claro, mas, infelizmente, a história não pode fornecer evidências para sustentá-lo. A persona masculina do século XVIII, usando peruca e pó de arroz, foi substituída pelo “ogro pegador que não chora” de hoje. Identidade e papel de gênero são tópicos amplos, mutáveis e a arte é a melhor maneira para pensar sobre gênero e sua fluidez.

Paulo Pomkerner – Setembro/2020

La emergencia de los discursos post estructuralistas y con ellos la perspectiva derridiana sobre la organización binaria de nuestra sociedad han generado una serie de cuestionamientos en varios aspectos fundamentales para pensar la contemporaneidad. Uno de esos aspectos es inevitablemente el cuerpo y las construcciones discursivas que lo configuran y lo construyen históricamente. De esa manera la deconstrucción del binarismo de género – masculino/femenino – y la visibilidad de identidades que no adscriben a ninguna de esas esferas opuestas nos invitan a pensar otros imaginarios corporales y eróticos. Esto no quiere decir que no existan prácticas que desafien al binarismo sexo-genérico antes de la emergencia de dichos cuestionamientos, sino que es en este momento donde los dispositivos culturales y los distintos campos que se ligan al arte busquen y experimenten formas de dar cuenta de este nuevo escenario.

Paulo Pomkerner explora esos alcances desde la fotografía. La serie que nos presenta escenificar esa disputa. Es en el baño, el espacio del hogar relacionado con lo abyecto, lo que cae, lo que se debe eliminar, dónde aparece un cuerpo masculino, pero que utiliza los elementos que, en tantos símbolos, representan la construcción de lo femenino. Lo interesante es la disposición y el cuerpo que se representa pues, a pesar de llevar puesto tacones y malla, sus signos son contradictorios.

En el ejercicio performático de posar para ser fotografiado el cuerpo parece desaprender una norma y un camino, se encuentra en ese espacio de ambigüedad que parece llenar todo el espacio. La atmósfera que construye Paulo se siente como la trasgresión y al mismo tiempo como la sátira pues, creemos, conseguir la libertad en el cuerpo en el ámbito político, sexual y incluso economico, habitar el deseo y la identidad como una exploración constante a diferencia de lo que mencionan los discursos más tradicionales, siempre es un ejercicio de goce, es un juego que termina por desafiar al poder.


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