A fotografia em tempos de quarentena

Toda a classe artística está sofrendo nessa quarentena e conosco, fotógrafos, não é diferente. Grande parte do nosso trabalho depende de contato social, seja através de modelos em estúdio ou caçando o instante perfeito nas ruas e nada disso é possível agora. Então, o que fazer? Reinventar-se, claro. Agora é a hora de estudar, de conhecer novas vertentes fotográficas e autores. De colocar no papel aquela ideia que há tempos está martelando na cabeça e encontrar formas para fazer dela realidade. De voltar os olhos para o cotidiano, para o familiar, e descobrir aquilo que estava velado pela rotina.

COLIN (LISBOA, PORTUGAL)

E se tudo isso não for o suficiente, podemos aderir aos ensaios virtuais feitos à distância. Um dos mais belos exemplos que tenho acompanhado é o trabalho do fotógrafo Chris, The Red. Há anos estuda o nu, os corpos, a sexualidade e, apesar de estar acostumado a trabalhar em casa, como continuar durante a quarentena? “Fotografar é comunicar-se, mas como realizá-lo e manter-se em casa?” A partir destes questionamentos nasceu o projeto “Corpos em Quarentena”.

BRUNO (ITAQUAQUECETUBA, BRASIL)

Os ensaios são feitos utilizando chamadas de vídeo, registrando os modelos em suas casas, em seu familiar. Segundo o fotógrafo, o projeto surgiu sem pretensões, apenas com amigos e outros modelos com quem já havia trabalhado, como uma estratégia para aprender a fotografar nesse processo de pandemia, mas em pouco tempo o projeto ganhou uma nova dimensão, ultrapassando todas as fronteiras.

ANGELUS (RECIFE, BRASIL)

Mesmo sem saber qual será o destino dessas imagens, se irão materializar-se em uma exposição ou livro, os frutos desse trabalho já estão sendo colhidos em forma de novas amizades. “A arte existe porque a vida não basta”, como disse Ferreira Gullar e, em tempos de quarenta, só a arte consegue aliviar nossas angústias em relação ao futuro.

ANDREW (GARANHUNS, BRASIL)

Veja mais do trabalho de Chris, The Red aqui ou no Instagram


Este texto foi originalmente publicado no aplicativo CulturaCuritiba

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