História da Arte Parte 2

ARTE NA IDADE MÉDIA De Meados do Século I até meados do século XIV

O período de mais de mil anos, entre a divisão do Império Romano por volta do século IV d.C. e o início do Renascimento na Europa, é conhecido como Era Medieval. A idade Média acolheu diversos estilos e períodos artísticos, como a Arte Paleocristã, Bizantina, Insular, Carolíngia, Otomana, Românica e Gótica.

Este fascinante período artístico inclui decorações pintadas das catacumbas de Roma, grandes monumentos Bizantinos como a Hagia Sophia em Constantinopla e os famosos mosaicos em Ravena. Da arte insular da Irlanda e da Grã-Bretanha temos os trabalhos em metal e manuscritos iluminados, como os Evangelhos Lindisfarne e o Livro de Kells. Também inclui manuscritos e projetos de construção das dinastias Carolíngia e Otomana que produziram monumentos como a capela palatina de Carlos Magno em Aachen.

A arquitetura Românica também merece destaque com a catedral de Santiago de Compostela, na Espanha, e as grandes catedrais góticas de Amiens, Reims e Notre-Dame em Paris, com suas esculturas de fachadas, vitrais, retábulos, relicários e roupas bordadas.

As obras do período medieval continuam sendo uma rica área de estudo para estudiosos interessados ​​em diversos temas interdisciplinares, como história econômica, estudos políticos e religiosos e o status das mulheres na sociedade medieval.

histria-da-arte--parte-ii-blog-paulo-pomkerner-photograph

Arte na Idade Média

Arte Islâmica 632 – 1492

histria-da-arte--parte-ii-blog-paulo-pomkerner-photograph

Detalhe da Fonte dos Leões, localizado no pátio com o mesmo nome, Alhambra, Granada, Espanha.

A frase “arte islâmica” é um termo genérico para artes visuais pós-século VII, criado por artistas muçulmanos e não muçulmanos, dentro dos territórios ocupados pelas pessoas e culturas do Islã. Abrange formas de arte como arquitetura, decoração, cerâmica, mosaicos de faiança, escultura em relevo, talha em madeira e marfim, frisos, desenho, pintura, caligrafia, douramento de livros, ourivesaria, escultura em pedras preciosas, entre outros. Historicamente, a arte islâmica se desenvolveu a partir de uma ampla variedade de fontes. Ela possui elementos da arte grega e cristã primitiva combinada com as culturas do Egito, Bizâncio, antiga Pérsia, leste da Índia e da China.

A arte islâmica é fundamentalmente contemplativa, visando expressar, sobretudo, um encontro com a divindade. Para os islâmicos o âmago da arte não consiste na descrição ou imitação da natureza, mas na formação de ambientes propriamente humanos. Isso significa que a arte deve conferir aos objetos (tapetes, roupas, recipientes, fontes artificiais, residências etc.) a perfeição que cada um deles pode alcançar segundo sua própria natureza. Dessa forma, a arte islâmica não acrescenta elementos estranhos aos objetos, limitando-se a fazer vir à tona suas qualidades mais essenciais.

São numerosos e variados os motivos decorativos nesta forma de arte, desde os geométricos até os arabescos. A caligrafia no islã é considerada uma atividade nobre e sagrada, tendo em vista que as suratas do Alcorão são consideradas palavras divinas. Quando se evoca a expressão “arte islâmica”, frequentemente julga-se estar perante uma arte desprovida de representações figuradas, constituída unicamente por motivos geométricos e arabescos, sem a representação de humanos e animais. No entanto, existem numerosas representações de figuras animais e humanas na arte islâmica, que surgem em contextos não religiosos.

A importância da arte islâmica na história da arte é imensa, particularmente, na Península Ibérica, região que por séculos, em sucessivas conquistas e reconquistas, ocuparam povos que a criaram. Consequentemente, as áreas colonizadas por Espanha e Portugal, sofreram forte influência. Na arquitetura é incontestável a intervenção árabe, um legado que se propagou e influenciou os vários estilos arquitetônicos presentes nestes países.

Românico 1000 – 1190

histria-da-arte--parte-ii-blog-paulo-pomkerner-photograph

Basílica Românica de São Miguel em Cisnadioara (Michelsberg), Romênia

Primeiro grande movimento de arte medieval, o estilo conhecido como Românico, pode ser usado para definir todas as derivações da arquitetura romana no Ocidente, desde c.450 d.C. até o advento do estilo gótico, por volta de 1150. Tradicionalmente, no entanto, o termo refere-se ao estilo específico de arquitetura, escultura e outras artes que apareceram na França, Alemanha, Itália e Espanha durante o século 11.

Mais rico e grandioso do que qualquer coisa testemunhada durante a era da Arte Cristã Primitiva, o estilo românico é caracterizado por uma imensidão de escala, refletindo a maior estabilidade social do novo milênio e a crescente confiança da Igreja Cristã em Roma, uma igreja cujo expansionismo pôs em movimento as Cruzadas para libertar a Terra Santa das garras do Islã. Mais tarde, o sucesso dos cruzados contribuiu para estimular a construção de novas igrejas por toda a Europa. Por sua vez, esse programa de construção produziu uma enorme demanda por arte religiosa decorativa, incluindo escultura e vitrais de todos os tipos.

Este foi o foi o primeiro estilo artístico a se espalhar por toda a Europa católica, da Sicília à Escandinávia, mas o termo Românico foi dado por historiadores da arte apenas no século XIX, especialmente para a arquitetura românica, que mantinha muitas características do estilo Romano – como arcos de cabeça redonda, abóbadas, absides e decoração com folhas de acanto – mas ao mesmo tempo desenvolveu muitas características próprias.

A arte Românica, especialmente na pintura, foi fortemente influenciada pela arte Bizantina e pela energia anticlássica da decoração da arte das Ilhas Britânicas. A partir desses elementos foi forjado um estilo altamente inovador e coerente, caracterizado pelo vigor na escultura e na pintura. As cenas retratadas continuaram a seguir os modelos iconográficos bizantinos como o Cristo em Majestade, o Juízo Final e cenas da Vida de Cristo. Nos manuscritos iluminados, mais originalidade é vista, pois novas cenas foram retratadas, deixando-os luxuosamente decorados, com maiúsculas capitulares decoradas com detalhados desenhos, muitas vezes com cenas completas e várias figuras. O crucifixo de madeira foi uma inovação alemã no início do período, assim como as estátuas da Madonna entronizada. Alto relevo foi o modo escultural dominante do período. Eram utilizadas principalmente as cores primárias e de uma forma impressionante. Hoje só podemos admirar todo o esplendor de cores do Românico em vitrais e em alguns manuscritos bem preservados.

Gótico 1259 – 1440

histria-da-arte--parte-ii-blog-paulo-pomkerner-photograph

Duccio di Buoninsegna - A Natividade com os Profetas Isaías e Ezequiel , 1308–1311, Galeria Nacional de Arte

O termo Gótico refere-se ao estilo de arquitetura, escultura, pintura e outras artes que ligou a arte Românica medieval ao início da Renascença na Europa. O período é dividido em Gótico precoce (1150-1250), Gótico alto (1250-1375) e Gótico internacional (1375-1450). Como uma forma pública de arte cristã, o Gótico floresceu inicialmente na França e regiões circundantes para depois se espalhar para o norte da Europa.

Sua principal forma de expressão foi a arquitetura e, principalmente, arquitetura religiosa.  Os principais exemplos de arquitetura Gótica são as grandes catedrais de Chartres e de Notre-Dame na França; a Catedral de Colônia, na Alemanha; a Abadia de Westminster e as Catedrais de Canterbury e Winchester, no Reino Unido e a Catedral de Santiago de Compostela, na Espanha. Suas características principais são as abóbadas de cruzaria, o arcobotante, as rosáceas preenchidas por vitrais, gárgulas e o arco pontiagudo – arco de volta quebrada ou os arco de ogiva. Seus altos arcos e contrafortes permitiam a abertura de paredes para janelas de vitral, cheias de imagens translúcidas maravilhosamente inspiradoras da arte bíblica, superando o que a pintura ou a arte em mosaico tinha para oferecer. Tudo isso criou uma atmosfera humanista evocativa bastante diferente do período românico.

 

A arte gótica, sendo exclusivamente arte religiosa ou sacra, emprestava um peso tangível ao crescente poder da Igreja em Roma. Isso não apenas inspirou o público e seus líderes seculares, mas estabeleceu firmemente a conexão entre religião e arte, que foi um dos fundamentos do Renascimento italiano (1400-1530). A mídia primária no período gótico incluía escultura, pintura em painel, vitrais, afrescos e manuscritos iluminados. A vida dos santos e histórias, do Antigo Testamento e do Novo Testamento, era frequentemente retratadas. As imagens da Virgem Maria mudaram da forma icônica Bizantina para uma mãe mais humana e afetuosa, abraçando seu bebê, balançando-se e mostrando as maneiras refinadas de uma dama aristocrática bem-nascida e cortesã.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *