História da Arte Parte 1

Esta é uma série de três postagens fazendo um resumo muito breve dos principais movimentos artísticos da história da humanidade. Este primeiro trata da arte na pré-história até a Antiguidade, iniciando com a Arte Rupestre (c. 75000 a.C. – 1000 d.C.) até a Arte Bizantina (330 – 1453).

Este trabalho é uma compilação de imagens e textos da internet e livros reunidos, organizados e revisados por mim. Iniciei-o durante o período da quarentena ocasionada pelo novo Coronavírus com a finalidade de me ajudar a compreender melhor os períodos artísticos e, por fim, penso que pode ajudar a outras pessoas também.

No fim dos três posts disponibilizarei um arquivo PDF para download com todo esse conteúdo. 

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Rafael, A Escola de Atenas

Arte Antiga Da pré-história ao Início da idade Média

Como as definições de arte e beleza, as ideias sobre a história mudaram ao longo do tempo. Pode parecer que escrever história seja simples – tudo é baseado em fatos, não é? Em teoria, sim, mas as evidências sobreviventes do passado são vastas, fragmentárias e confusas. Os historiadores devem tomar decisões sobre o que incluir e excluir, como organizar o material e o que dizer sobre ele. Ao fazer isso, criam narrativas que explicam o passado de maneira que fazem sentido no presente. Inevitavelmente, à medida que o presente muda, essas narrativas são atualizadas, reescritas ou descartadas por completo e substituídas por novas. Toda a história, portanto, é subjetiva – tanto um produto do tempo e do local em que foi escrita quanto das evidências do passado que interpreta.

Entre aproximadamente 5000 a.C. e 300 d.C., civilizações “avançadas” (geralmente aquelas com linguagem escrita) prosperaram na Mesopotâmia, Egito, Grécia, Suméria, Acádia, México, Roma, Japão, China e Índia. A arte desempenhou um papel importante nessas sociedades em crescimento, fornecendo um meio de reforçar a ordem religiosa e política. Por exemplo, uma das obras mais famosas da antiga Mesopotâmia, muitas vezes chamada de “berço da civilização”, é o Código de Hamurabi, um conjunto de leis esculpidas em pedra e adornadas por uma imagem do rei Hamurabi e do deus mesopotâmico Shabash. Da mesma forma, a arte do Egito antigo inclui imagens simbólicas ao lado do texto (hieróglifos) que conta histórias e exalta governantes, deuses e deusas. Embora humanos pré-históricos tenham feito arte já há 40.000 anos, a arte antiga é considerada por alguns a base de toda a história da arte, com suas técnicas, formas e assuntos continuando a informar a arte de hoje.

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Arte na Pré-história

Arte Rupestre c. 75000 a.C. - 1000 d.C.

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Pinturas no Parque Nacional do Catimbau, Brasil.

Arte rupestre é um termo bastante vago que descreve desenhos pré-históricos feitos pelo homem em pedra. Este tipo de arte é tradicionalmente dividido em: petróglifos, também chamados gravuras rupestres, realizadas diretamente na rocha por meio de uma incisão, uma escoriação, uma escavação etc.; os pictogramas, também chamados pictógrafos, que envolviam o ato de pintar ou desenhar símbolos nas superfícies com algum pigmento, representando objetos ou conceitos; e megálitos ou petroformas, categoria menor da arte rupestre, envolvendo o arranjo de pedras para criar um tipo de monumento (por ex. Stonehenge).

Petróglifos foram descobertos em todo o mundo povoado, principalmente em partes da África, Escandinávia, Sibéria, sudoeste da América do Norte, norte e oeste da Austrália e Península Ibérica. Estudiosos acreditam que essas imagens possam ter significado cultural e/ou religioso para aqueles que às criaram. O tipo mais importante, e mais misterioso, de petróglifo é a cúpula – um buraco em forma de xícara, não funcional, criado por percussão na superfície horizontal ou vertical de uma rocha. Cúpulas foram descobertas em todos os continentes, exceto na Antártica, e continuaram sendo criadas ao longo das três épocas da Idade da Pedra. Os locais mais importantes da arte rupestre gravada incluem: Caverna Chauvet (30.000 a.C.), Caverna Le Placard (17.500 a.C.), Caverna Roc-de-Sers (17.200 a.C.), Caverna Rouffignac (14.000 a.C.) e Caverna Les Combarelles (12.000 a.C.).

Pictografia é a criação de imagens monocromáticas ou policromáticas através da aplicação de pigmentos, como carbono, manganês geralmente obtidos de fontes minerais, animais ou vegetais. Como estas imagens são muito menos resistentes às intempéries do que as gravuras, a maioria delas que podemos encontrar hoje são subterrâneas ou, quando ao ar livre, estão sob rochas pendentes. Os humanos pré-históricos começaram pintando com os dedos e mais tarde usaram pastéis de pigmentos irregulares e pincéis construídos com pelos de animais ou fibras vegetais.  Representações de humanos são raras, os assuntos mais populares eram cenas de caça, que geralmente incluíam bisões, cavalos, renas e gado. As pinturas rupestres mais importantes são as do complexo de Lascaux (c.17000 a.C.) na França e as das cavernas de Altamira (c. 15000 a.C.) na Espanha.

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Arte na Antiguidade

Arte Egípcia C. 2649 A.C. – 1178 A.C.

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A Pesagem do Coração do Livro dos Mortos de Ani

Um dos principais contribuintes para a arte neolítica tardia, os egípcios criaram as mais importantes e conhecidas formas de arte da bacia do Mediterrâneo antes do advento da civilização grega (c. de 600 a.C.). A civilização egipicia antiga tornou-se mundialmente famosa pela sua arquitetura com as extraordinárias pirâmides e outros recursos exclusivos da arte que incluem sua escrita baseada em figuras e símbolos (hieróglifos) e seu meticuloso estilo hierático de pintura e escultura em pedra.

 

Muitos artistas são conhecidos em épocas posteriores às suas, mas os do Egito são completamente anônimos e por uma razão muito interessante: sua arte era funcional, criada com uma finalidade prática, enquanto obras criadas em movimentos artísticos posteriores eram destinadas ao prazer estético. A arte do antigo Egito visava retratar fatos políticos e religiosos e, para compreender a que nível se expressa estes objetivos, é necessário ter em conta a figura do soberano absoluto, o faraó. Ele é dado como representante de Deus na Terra e este seu aspecto divino que vai vincar profundamente a manifestação artística. Deste modo a arte representa, exalta e homenageia constantemente o faraó e as diversas divindades da mitologia egípcia, sendo aplicada principalmente a peças ou espaços relacionados com o culto aos mortos, isto porque a transição da vida à morte é antecipada e preparada como um momento de passagem da vida terrena à vida após a morte, à vida eterna e suprema. Hoje nos maravilhamos com os tesouros de Tutancâmon ou com a estatuaria do Antigo Reino, mas a maioria dessas obras em sua época nunca foi vista por outras pessoas além daquela que a encomendou e que era seu proprietário – simplesmente não era o seu propósito.

Arte Grega 1100 a.C. – 27 a.C.

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Placa de madeira pintada, encontrada em Corinto, século VI a.C. 

A arte grega antiga tem como característica principal um alto idealismo estético. Não é uma representação natural e direta da realidade, mas uma visão idílica e perfeita da mente artística, que é percebida e retratada por eles em suas diferentes plataformas artísticas. Utilizando proporcionalidade e o equilíbrio dos elementos somados à medidas matemáticas, representavam  uma realidade “adocicada”, criada para a alegria do espírito.

Dominaram a representação da figura humana com perfeição tanto no desenho quanto na escultura e fizeram do corpo humano o fundamento de toda beleza e proporção, o que passou a ser conhecido como antropocentrismo. A arte grega antiga começou a desenvolver-se durante o século 8 a.C. Nessa época, o ferro foi transformado em armas e ferramentas, as pessoas começaram a usar o alfabeto, os primeiros Jogos Olímpicos ocorreram (776) e emergiram uma complexa religião e um amplo senso de identidade cultural.

 

O período dedicado à escultura grega “clássica” inclui três estilos distintos, que duram centenas de anos, começando em aproximadamente 600 a.C. Esses estilos, começando pelos primeiros, são os arcaicos, os clássicos e os helenísticos. É fácil ver a progressão da arte grega, observando cronologicamente esses estilos. O estilo arcaico é rígido. O estilo clássico é mais realista e inclui a representação do movimento. O estilo helenístico cede aos resultados de séculos do estudo grego da forma humana.

Arte Bizantina 330 – 1453

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Afresco da Igreja de São Salvador em Chora, Constantinopla (atual Istambul), século XIV

São as artes criadas durante o Império Bizantino, que prosperou de 330 a 1453, quando Constantinopla foi tomada pelos Otomanos. De um modo geral, a arte bizantina afastou-se das formas de arte clássica, que eram altamente realistas por natureza. Os artistas bizantinos estavam menos preocupados em imitar a realidade e mais em sintonia com o simbolismo, principalmente o simbolismo religioso. Isso não quer dizer que os artistas bizantinos abandonaram as influências clássicas; de fato, a arte bizantina reflete muitas influências antigas, como o amplo uso da arte em mosaico, mas, em geral, uma visão mais abstrata da realidade era preferida.

O assunto religioso é o tema principal da arte bizantina. A decoração ornamentada das igrejas é relevante, especialmente na Basílica de Hagia Sophia, mas a pintura de ícones sagrados é um dos aspectos mais relevantes da arte bizantina. Freqüentemente, os fundos eram pintados de ouro, de modo que os assuntos em primeiro plano, geralmente imagens de Cristo e dos santos, pareciam estar flutuando. Nesses casos, o significado religioso era mais importante do que o valor estético.

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